Lu Diwieth

hace 3 años · 2 min. de lectura · visibility ~100 ·

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A vilã do século XXI.

A vilã do século XXI.

    Pessoas incompletas multiplicando-se, isso está virando uma grande bola de neve. Onde ela passa deixa rastros que se alastram, infinitos ramos, raízes impregnadas no interior escondem as verdades. Os fármacos não a destroem, apenas amenizam suas marcas, o trato está equivocado. O hospedeiro age em silêncio. Olhe a sua volta!

    Não se trata de uma metáfora, diria que é uma maneira mais profunda e subentendida de se falar sobre a depressão. Mas porque essa... Como poderia chamar? Não gosto de tratá-la como uma doença, para mim doenças são tratadas com medicamentos, também não gosto de chamá-la de desequilíbrio emocional, porque não considero uma resposta do interior do indivíduo. Vou chamá-la de vilã mesmo, prefiro assim. Penso diferente de todos os profissionais que estudam a depressão, bem como a diagnosticam e a tratam. Minha análise sobre ela é de que começa de fora para dentro e não do contrário como todos afirmam. Mas o que quero dizer com isso? "Tudo termina onde começa", para mim essa frase é a chave da compreensão.

    Nessa sociedade tão vazia, tão desviada de si e dos outros, você espera que pais despreparados consigam sustentar o desenvolvimento de crianças preenchendo todas as lacunas que as envolvem? Ao meu ver você não pode dar o que não tem, também não pode satisfazer uma necessidade que não está satisfeita, não é possível saber ensinar o que não apreendeu, você ainda é um aluno, como pode garantir ao outro o que não conhece? Pais despreparados criam filhos incompletos, pois eles mesmos o estão. Não há espaço para diálogos, não se sabe dialogar. Eu não estou falando aqui de chamar seu filho para uma conversa, claro que ele vai ouvir e vai falar, mas nem saberá o que lhe falta, vai ser difícil se você esperar que expresse seus sentimentos, afinal não os entende porque está tudo confuso para ele.

    Os pais perderam acesso às carências dos filhos, não conhecem suas próprias. As pessoas se desnortearam há muito tempo e o que contribuiu para isso foi essa crescente produção de distrações e ocupações originadas pelo avanço capital. Tem muita poluição em volta, poluição de informação, de tecnologias, de otimização de tempo. Não existe tempo, sempre o falta, muitas coisas para absorver, princípios estão se desorientando e a educação está sendo moldada às formas desse sistema. Os indivíduos não estão desequilibrados internamente, eles estão sentindo falta de tudo que deveria vir de fora, mas não vêm, como poderia se quem dá também está alienado? Os remédios, os terapeutas, os médicos, as clínicas, tudo isso faz parte do sistema, que reproduz a vilã e maquia uma cura que não será possível através do imediatismo, pura utopia.

    Preencha seus filhos com amor, tente compreender em diálogo o que você mesmo não percebe, não permita que os produtos resultantes desta evolução distraiam seu olhar, nem seus sentimentos. A distância entre um Ser e outro está expandindo e as relações desencaminhando. A cura para depressão está na fonte, ela não vai ser tratada de outra forma, pois esta outra só esconderia sua aparência, talvez por um tempo, ou por uma geração, mas ela retorna, não cessa e sempre deixa vestígios. A resposta está em sair deste círculo vicioso que cega e transforma pessoas em robôs, máquinas humanas sem capacidade de sentir o outro, pensar no outro, o eu e o mais estão gradativamente extinguindo o tato do Ser. O que faz o vazio não é a falta do que fazer, mas o não ter tempo, nem atenção, carinho, união, entre outras peculiaridades.

    Os filhos não precisam privilegiar os estudos, o trabalho, o dinheiro, não antes de serem realizados e você não conseguirá satisfazê-los enquanto estiver priorizando tudo que a sociedade exige. É preciso sensibilizar-se e olhar para o futuro que se constrói. Estamos criando seres informatizados ocos, ou seres humanos completos? A depressão nada mais é do que o espelho da sociedade e está evidenciando nos animais domésticos, o ter é mais importante, mas não estando pleno o suficiente para integrá-los o farão vagos tais como você. Não existe depressão entre animais selvagens, porque não primam nada além da família, andam em grupos e cooperam uns com os outros, buscam o necessário para sobreviver e valorizam a presença. O fim da depressão está na causa, para entendê-la existe a oportunidade de olhar para trás, quem sabe apreender com os animais e colocar em prática este aprendizado.


Thomaz, Luana Diwie. Florianópolis, 14 de fevereiro de 2018.    


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Comentarios

Lu Diwieth

hace 2 años #1

#2
Fico Feliz por você! Gratidão por compartilhar sua experiência. Grande Abraço!

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