Lu Diwieth

hace 4 años · 3 min. de lectura · visibility ~10 ·

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Todos possuem um vazio, mas nem todos conseguem preenchê-lo.

Todos possuem um vazio, mas nem todos conseguem preenchê-lo.

    Houve um tempo em que procurei preencher meu vazio através de uma companhia... Pensava que o "outro" me completaria e não precisaria buscar novas coisas. Na maior parte do tempo inclusive, pensava que os amigos eram os protagonistas em "preencher vazio"... De certa forma preenchiam, quando distraída com conversas, passeios ou festas. Mas e depois? O que eu sentia quando me dava conta de que aquele relacionamento não me completava, de que era uma fuga, um conforto temporário que criava uma dependência estranha e um medo da solidão? Os encontros com os amigos acabavam, eles seguiam seus caminhos e o tempo, ahh o tempo,  este criava um distanciamento entre os envolvidos que mal se davam conta.

    Quando ocupada, distraída com qualquer atividade, esquecia do vazio, mas no silêncio este vinha com força total e trazia angústias, desespero, questionamentos... Mas eu tinha um celular, este aparelho tão pequeno com uma memória e capacidade tão grandes, virou uma "válvula de escape", o computador não ficava de fora. Quando descobri as redes sociais achei que tinha preenchido meu vazio, mas o tempo foi passando e ele continuava ali. Primeiro entrei na onda de postar minhas refeições, meus passeios, fotos com amigos, tudo muito "cor de rosa". De fato aquelas refeições eram gostosas, bem como os momentos com os amigos. Então comecei a observar, não só o que eu estava fazendo, mas as atitudes dos demais.

    Aqueles amigos eram muito bons, sempre disponíveis para diversão e qualquer outra proposta que os beneficiasse, porque não? Quem não gosta? Eu também adorava sair para me divertir... Mas durante as conversas discutia-se sobre problemas pessoais, cotidianos e nas redes sociais aparecia outra realidade. Casais discutindo em casa, desabafando dificuldades de relação e fazendo juras de amor na rede. Esta observação me instigou a sair de fininho... Postar menos fotos, mensagens, focar na disseminação de conteúdo social, ambiental, humano, democrático. Quanto mais observava uma realidade diferente do que aparentava, mais investia em publicações críticas, que visassem o bem comum e mostrassem uma construção de humanidade perante o entorno conturbado que vivíamos.

     A brincadeira foi cansando, o fato de eu parar de publicar minha vida pessoal e pensar na consciência do planeta só me custou muitas curtidas... O vazio ainda estava ali, ele trouxe um amigo, o "deslocamento", sim, pois foi assim que me senti, uma deslocada, "carta fora do baralho, peixe fora da água", como quiser denominar... O afastamento foi uma consequência. O tempo voltou, desta vez para mostrar... Muitos daqueles amigos das redes sociais nunca foram amigos, claro que não, foram conhecidos, colegas de trabalho, pessoas que passaram por algum momento em minha vida. De outros pude perceber que estavam sempre dispostos a qualquer coisa atraente para eles, mas quando eram solicitados para demonstrarem um pouco de cumplicidade, tornavam-se ocupados. Então não sei o que houve, claro que sei! Várias decepções, de todas as formas, pisavam pouco a pouco meu coração. Todo mundo se decepciona com alguém e na visão deste alguém você também o decepciona.

    Mas eu despertei, vi que o que eu procurava não estava fora, não estava em ninguém, estava dentro de mim e mal me conhecia. Eu achava que me valorizava, mas não, valorizava os outros, as pessoas, as amizades, os namorados, a família, todos menos eu mesma. Vi que pouco a pouco o vazio foi se preenchendo, pois comecei a ficar em silêncio, a meditar. Percebi que só eu poderia preencher o vazio, apreendi a me dar o respeito, digo isso porque delimitei um espaço, neste só entrava o que fosse acrescentar, pois não admitia mais perdas, frustrações, mágoas. Meu ambiente ficou cada vez menor, bem como meu tempo, pois direcionava-o à mim e estava gostando da companhia. Apreendi a filtrar, a barrar, a calar, ausentar, coisas que antes não fazia para agradar os outros, sempre disponível...

    O conhecimento do meu "Eu" abriu espaço para um novo mundo, uma nova identidade, novas ideias, conceitos, prioridades. Quem antes conhecera não me reconheceria e quanto à família, esta não dá muita chance para aceitar mudanças, possui "aquela velha opinião formada sobre tudo", penso que não muda muito de uma para outra neste aspecto. Eu me conheci e descobri uma consciência superior maravilhosa que me conectou com um universo que gostaria de ter conhecido antes. Agora tento resgatar o "tempo"  e ele está me ensinando a valorizá-lo. 

    Sócrates disse em sua filosofia: Conhece-te a ti mesmo! Mas cada um tem o seu tempo...


Thomaz, Luana Diwie. Florianópolis, 23 de setembro de 2017.


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